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Continuo a mesma.

5 de dezembro de 2016


Ainda escrevo quando acho um lugar para sentar no ônibus em horário de pico. Ainda assisto filmes da disney aos finais de semana quase que religiosamente. Ainda escuto Elvis Presley antes de dormir. Sou realmente a mesma pessoa de antes. Deixando o volume da tv em número ímpar e sendo aquela que ri sozinha olhando pra alguma bobagem no celular. A que sorri aliviada quando tira azul em física. Paro de assistir séries na metade porque para mim, elas sempre vão perdendo a graça. Ainda mordo o dedo quando estou ansiosa. Sim, a mesma.

A gente tem mania de achar que momentos ruins são eternos, não é? Sentimos a morte (ou o ato de adiarmos ela) se aproximando todos os dias. Playlists são ditadas de acordo com o nosso estado emocional: uma droga. Me afundei tanto nisso que nem sei. Tudo perde a graça, as cores e o sentido. Até parar de comer a gente para. Fiquei pior do que eu podia imaginar, e não existia um motivo exato para explicar toda essa coisa critica.

Tenso, né?

Nem tanto. A falta de algumas pessoas me fez abrir os olhos a um novo horizonte. Dei espaço para novas pessoas, risos e hábitos. Bastaram alguns dias de luz para eu perceber que tinha o poder de me reconstruir. Olha só pra mim! No fim das contas, percebi que o choque de saber a verdade era o que faltava para eu enxergar que a vida não era só aquilo. Realmente não era necessário eu me privar a cada ser que me cercava e a suas mentiras, entende?

Curto a ideia de termos a opção de sermos quem desejamos ser. E eu escolhi continuar sendo eu mesma. A que ama ouvir histórias de gente que nem conhece direito, que gosta de ser fotografada, de abraçar gatinhos que encontra pela rua e usar roupas listradas. A que ama cantar mesmo sendo a mais desafinada da história. Só continuo.

Andei tão preocupada me afundando em coisas desnecessárias, que esqueci de enxergar coisas incríveis e de desenvolver amores grandes e que me movem. Aliás, também continuo lendo (mesmo que pouco) e escrevendo todas as madrugadas. Hoje, só consigo expressar o quanto sou grata pela palavra resiliência e pelo maior achado da minha vida: o eu que nunca deixei de ser.  


Desalinho

6 de outubro de 2015


Entrei em estado de choque. A dor se tornou tão monótona que passou de agressora a dormente. Quem dera se fosse enxaqueca, dorzinha de garganta por ter tomado umas gotas de chuva, ou um soco no estômago. Todos esses pequenos desconfortos no geral passam com um remédio em gotas com gosto ruim, um comprimido que fica tempos entalado na garganta, e até mesmo um gelo no lugar exato. Sabemos que hora ou outra a dor vai cessar. Nada é relativamente eterno quando falamos de coisas inoportunas, certo? Não sei.

Somos bagunças, é vero. Costumo pensar que, assim como acumuladores, tento esconder meu desalinho de todas as maneiras possíveis. Debaixo do tapete, atrás da estante, fechando as cortinas e trancando todas as portas que me convém. Nunca deixo que me ajudem, prefiro as coisas como estão- e nunca fiz o pedido de flores para colorir meu jardim. Já me chamaram de egoísta, e apesar de ruim, não recusei o rótulo. Claro que depois de um tempo as palavras soaram um tanto quanto ofensivas na minha mente e fiz questão de inventar uma grande tempestade e alaguei tanto tudo que deixei parte dela escorrer por meus dois grandes olhos castanhos. Acho que aquilo saindo de mim eram meus sentimentos e dores tomando forma, intensos mais do que nunca. O resultado foi o meu perceber que já era mais que obvio: eu não preciso de ajuda.

E não, isso não é ser egoísta.

Ao contrário do que pensam, é difícil ver que é humano. De que tem pele e osso, de que é obrigado a sentir dor, de que tem que gastar grande parte da vida sofrendo. Eu poderia ser uma planta, sabe? Plantas não sangram, pessoas sim. Plantas não tem essa de nó na garganta e colegas enchendo querendo saber de minhas dores. Mas assim, já que não sou um ser verde e bonitinho você bem que poderia me dar um desconto deixar eu sozinha aqui no canto com meus olhos inchados e com o gosto salgado de lagrima nos lábios, né não?

Ficar isolada aqui dentro vem sendo insuportável. As coisas a minha volta vem se autodestruindo tão rapidamente que não faço ideia se ainda resta tempo de ligar para o cara da rua de cima que sabe concertar qualquer coisa. Mas acho que provavelmente ele abaixaria o olhar e sussurraria um "sinto muito" enquanto da as costas evitando ver meus olhos marejados gritando em desespero. Sei que você tem uns contatos, então se souber de alguém que repare estragos emocionais, juro pagar por qualquer valor. Só se você quiser me ajudar, é claro. Sofro em silêncio, não quero incomodar você e atrapalhar seus planos para o fimdê.

A parte mais triste é que eu realmente não sou uma planta. Não é tão simples quanto a água da chuva se alinhar por minhas curvas e eu ficar bonita e forte novamente. Não sou consertável, me perdoe. Por dentro eu só choro, grito, esperneio. Porque sou normal. Me faltam palavras a maioria das vezes, a minha visão fica turva e fazem falta o ar nos pulmões. N-O-R-M-A-L

Complicado vai ser ter de levantar o tapete, tirar a bagunça de lá de baixo e tentar organizar tudo em gavetas. Já ta doendo só de pensar. Intensamente e pra caralho, entende? Mas já passou da hora de fazer as coisas fluírem do jeito que eu quero e que me agradem. Eu posso e quero, não preciso de permissão de outro alguém.

Serei meu próprio motivo e meu próprio porque. É necessário.

    
     
   

Sinta

6 de agosto de 2015


Estou me despindo desse muro que criei ao meu redor e até dentro de mim. To tirando meu rímel, meu batom vinho e o grampo do cabelo. Eu só quero ficar nua desse rótulo de machona, que não sente dor, que não sente nada. Estou estragando a pose e deixando de lado essa história de ser tanto-faz-tanto-fez. Deixando porcarias de lado, tentando só mudar um tiquinho de nada-Mesmo que isso só dure por hoje.

Hoje quero só chorar baixinho enquanto alguém faz cafuné gostoso nos meus fios escorridos. Ai depois pode limpar as lagrimas e contar aquela piada sem graça de sempre e eu vou rir igual uma criança sendo atacada por cocegas. Vou andar só de calcinha e camisa pela casa, sem medo de chegar visita inesperada e de mostrar cada imperfeição marcada em mim e espalhadas pelo meu corpo pra você. Ao invés de comermos arroz e feijão porque não comemos batata frita com bastante ketchup e maionese? É uma boa ideia, não é mesmo?

Não quero que atrase sua vida por mim, aliás. Acontece que não parece, mas as vezes eu me machuco e só quero bater na minha cara continuas vezes por depositar minha fé em gente errada. Mas assim, se você cansar realmente não te culpo. Eu sou torta lembra? E eu só queria deitar um dia no meio das pessoas que me traziam segurança e paz interior e desabar até não ter mais água suficiente dentro de mim para gerar lagrimas. Uma visita, sabe? Pra que só com um olhar eu me livre disso tudo que ta acontecendo, que só isso fosse o suficiente.

Deixa eu ficar um pouco sozinha assistindo aquela série que vivo falando, ta bom? Sozinha. Não podia estar me estressando assim, eu tenho problemas sérios com bagunça interior, e não só isso, com a física também. Não estou falando sobre rugas, aliás. É além de vaidade e superficialidade, se que saber -tenho certeza que não.

Um chá de sumiço me satisfaria no momento.

Mas esquece isso e deixa essa minha besteira de lado. Vamos ignorar meu drama e escutar um som bem alto, certo? Disputar quais são as melhores coisas da vida, o dia ou a noite, sem ou com. Odeio meu sorriso, mas entre ele e olhos inchados, não tenho duvidas. Então sinta minha energia misturada ai dentro de si e ria da minha risada exagerada e as caretas que faço enquanto converso com as pessoas. Sinta minha bagunça.

Só sinta.      

Uma carta para meu futuro eu

29 de julho de 2015


Querida eu, como vai a vida?

Provavelmente você nem lembra mais de ter escrito isso, mas se te ajuda refrescar a memória, a ideia partiu de um post que uma menina tinha feito em um aplicativo que nem eu recordo o nome. Acho que você deve estar bastante ocupada escrevendo algum de seus textos ou listas do que não esquecer para próxima viagem, mas se você continuar da mesma maneira que sou hoje com toda certeza vai deixar tudo de lado porque a curiosidade é gritante e é necessário matar a mesma.

Te conheço bem, e você sabe. As metas que tenho agora aos 14 invernos vividos são até de gente ultra sonhadora-mas nada impossível. Espero que você tenha conseguido realizar pelo menos a metade deles.Principalmente a parte de ver a neve, visitar hospitais vestida de palhaça, ter visto sorrisos de outras terras e concluído sua faculdade de jornalismo-ou publicidade? Queria muito saber o que realmente quero da minha vida sem ser tão indecisa, porque nesses tempos tá meio foda tomar decisões-e você deve saber bem do que estou falando.

Acordei hoje já com vontade de escrever para você, admito. São tantas perguntas que até perco as contas. Por falar em contas, você aprendeu a lidar com matemática? Porque as aulas começam daqui a 5 dias e eu não faço ideia nem do que aprendi no primeiro semestre, muito menos do que me espera nesse agora. É meu último ano naquela escola que tenho certeza que você lembra de cada detalhe, cada besteira que fez lá, as coisas e pessoas que te fizeram mudar e eu não gosto nem de pensar nisso, porque quando o último sinal soar pelos corredores minha vida vai mudar drasticamente. Aliás, eu tomei as decisões corretas?

Espero mesmo que todos esses meus choros, raivas que passo, e as barras tenham me ajudado de alguma maneira e que as cicatrizes sumam também. Que você lembre de cada cagada que fiz(e que to planejando fazer por esses dias) e sorria automaticamente e não se arrependa de nadinha- porque no momento eu to curtindo demais isso tudo que o mundo está me proporcionando, e to com a consciência levinha de todos os meus atos. Você ainda continua assim? Agindo por impulso, fazendo as coisas e depois rir porque sabe que devia ser menos bobona, nunca pensando nas consequências? Espero que sim, porque prometi a mim mesma nunca parar com isso.

Por falar em promessas, você continua escrevendo? Ando desenvolvendo bastante esse lado devido ao blog. Amo ver o poder que as palavras tem sobre as pessoas, as lágrimas que consigo derrubar só com uma frase, a ajuda que proporciono. Deixei de lado essa coisa clichê de só escrever romances-apesar de ainda escrever alguns de madrugada- e to gostando mais de escrever coisas para ajudar pessoas que realmente precisam de um socorro. Acho que é como já disseram pra nós, né? Talvez vinhemos para mudar o jeito da galera enxergar o mundo. E eu me sinto tão mal por ainda ser tão pequena e não saber como fazer isso... Na maioria das vezes as palavras pairam sobre a minha mente, mas na hora de botar todas para fora algo me enforca e não deixa que nada escape-nem um fio de voz. Mas sei que você já deu um jeito nisso, não é mesmo? Somos bastante determinadas e perfeccionistas com as nossas metas, sempre conseguimos cumprir uma a uma de um jeito ou de outro, então nem me preocupo tanto em relação a isso.

Mas falando sério: Ainda sorri para as pessoas do ônibus? Continua indo a praia todo mês de janeiro? A coisa de ser adulta, ter mais responsabilidade, fez seu lado infantil ser deixado de lado? Eu espero que essa última coisa realmente não tenha acontecido, e que você ainda force seja lá quem esteja ai com você -seu namorado, seus amigos da faculdade, ou sei lá quem - a assistir todos os filmes do toy story em um dia ou fazer maratona de bob esponja em uma páscoa qualquer.

Sobre ser adulta: Deve ser um porre, né? Quer dizer, é legal porque agora temos a nossa grana, podemos viajar, ir para aquela balada foda, dormir onde bem entender.. Mas e o trabalho? É do jeito que você sempre quis? Quer dizer, sem todo aquele tédio que todo mundo tem, do jeito que você dizia que ele deveria ser. Com gente bacana, sorridente e fazendo algo que realmente ama. Se você não estiver assim eu vou ficar extremamente chateada, mas espero que pelo menos você seja rica a ponto de ir pra Paris, NY, Ibiza e frequentar todos festivais de música eletrônica possíveis. Sim, no momento essa é a minha meta para um futuro próximo.

Diz pra mim que toda essa coisa de crescer não te fez esquecer alguma coisa ou ninguém. A família para ir pra praia no final de janeiro, de deitar no banco traseiro do carro só para ver o céu azul em movimento, o suco de laranja natural acompanhado de coxinha, de sempre agir por impulso(apesar de saber que sempre vai se foder no final), que tenha achado pessoas que te amem de forma intensa e que te demonstrem sempre, e afins. Que as coisas que você emitiu para o universo tenham voltado para ti de maneira maravilhosa, e que tenha aprendido a se expressar melhor para as pessoas. Porque eu me sinto muito mal de não conseguir no momento, eu realmente me sinto na bosta se pensar por esse lado.

Tenho certeza que você mudou bastante, afinal, somos feitas de pequenas e grandes metamorfoses. Mas por mais que seu jeito de falar tenha mudado, seu gosto musical tenha ido para o clássico e que você tenha se adaptado, eu espero do fundo do meu coração que nossas promessas para nós mesmas não tenham se rompido e que nem nossos princípios e ideologias tenham sido quebrados.

Espero que todos os nossos erros se tornem aprendizados, e que a nosso lema de que "não vinhemos por acaso" realmente faça mais sentido a cada inverno que passe. Que nunca deixemos que ninguém nos faça parar de sonhar e que sempre nossa mente nos faça acreditar.

Sempre seja forte não importa o que digam, Karine. Não me decepcione, tudo bem? Eu acredito em você e em todos os nossos sonhos loucos. Tenho quase certeza de que está sorrindo lendo isso agora, e se gabando e comemorando mentalmente a nossa vitória e riscando essa meta de nossa lista.

Está tudo certo. T-U-D-O C-E-R-T-O .

ps¹: Espero que a gente tenha a foto do momento em que abraçamos o Lukas, o Daniel, o Rafael e o Gustavo e o Túlio. Você sabe bem o quanto isso significa pra mim.
ps²: Espero que um dia tenhamos ido a uma festa fantasiada de índia ou pirata
ps³: Continue sorrindo a quem quer que seja, ajudando também, e que seja feliz.        

O blog está de cara nova!

24 de julho de 2015

Ei, o blogger não te direcionou para um endereço errado ou algo do tipo. Acontece que deu a louca em mim e eu resolvi mudar duas coisas super importantes aqui do blog! Primeiro mudei o endereço (<3), que foi mais pensando no crescimento e na facilidade de vocês entrarem no blog, já que no antigo www.karinequedisse.blogspot.com  tive bastante dificuldade de atrair gente pra ler só na fala, porque dizia o endereço e a pessoa obviamente perguntava umas 4 vezes e depois sorria para fingir que entendeu o que é blogspot. Era complicado, perdi uma galera grande por causa disso, mas agora ta bem mais fácil de qualquer um decorar e de vocês lembrarem na hora que quiserem para fazerem uma visitinha por aqui. 

A segunda foi a mais bacana que poderia acontecer por aqui. Um dia eu estava em grupo de blogueiras no facebook e a Isa fez um post explicando que começaria a fazer layouts, capas para redes sociais, cartões de visita, logos e mídia kits para a galera que mexe com os paranauê da internet. Ela precisaria fazer primeiro as coisas do portfólio, e ai eu comentei, ela entrou em contato e aqui estamos vendo essa coisa super caprichada que a Invento Design fez pra gente! Quem escutou cada coisinha que eu queria foi a Isa, cada detalhezinho mesmo. A responsável pelo cabeçalho foi a Mayelle (que eu não tive contato, mas que mesmo assim sou super grata),e quem fez o layout foi a Isa. As duas são demais, caprichosas e suuuper pacientes.

Durante todo o processo fiquei super tranquila porque elas me passaram confiança de que não estavam na brincadeira e que o negocio era sério mesmo. Participei bastante da criação, já que uma leitora que também tinha um blog me perguntou se só entregava na mão deles e eles davam conta (VOLTA COM O BLOG NAT). Escolhi desde a paleta de cores (chorem comigo gente, eu adorei), até mesmo o menu. Amei cada detalhe e a delicadeza que agora transparece pela tela. E vocês, gostaram? Espero que sim e que estejam com um sorriso de bobona igual o meu na cara! Em breve teremos posts novos e até mesmo uma mudança no conteúdo <3

É isso galera do cowboy (?), um beijo.  

Carta para dois anjos.

5 de julho de 2015



"Oi vô, oi vó. Eu não sei bem por onde começar. É que depois de cair a ficha que ta tudo errado e bagunçado, fica difícil descrever a complicação.

Poderia começar dizendo que to começando a enjoar de frango, mas seria uma baita mentira. Poderia dizer o que acontece. Que tenho gente nova na vida. Que as tardes de domingo estão cada vez mas cinzentas e melancólicas sem vocês. Que aquela música do Bruno Mars ainda me faz chorar, e agora não pela falta de um, mas sim dos dois. Poderia dizer que consegui fechar com 9 no boletim em história. Que to começando a comer feijão. Ou que estou melhor desde setembro. Dizer que entrar no antigo quarto de vocês me faz sentir nos seus braços. Que o cheiro de vocês é inesquecível, igual o da blusa de um certo alguém. Que ainda não realizei meu sonho de receber uma carta feita a mão e com amor. Ou que ando evitando lembrar porque estou cansada de ir dormir chorando.

Poderia dizer que o mundo inteiro as vezes parece me odiar, mas ao mesmo tempo sinto a paz de Deus dentro de mim ao menos uma vez na semana. Que tenho sonhado frequentemente com vocês, e que juro escutar as suas vozes me chamando as vezes nas madrugadas. Eu poderia.

Mas vou dizer o seguinte: Acho que tomei um copo cheio de lembranças ao invés de água e no momento estou afogada em lagrimas e lembranças que insistem em me atormentar como se fossem aquelas malditas alucinações que ainda não sei se são sonhos ou realmente alucinações. Ontem as duas da manhã solucei loucamente no chão do quarto do meu irmão e acordei com a cara inchada e com uma maldita tosse que parece me rasgar por dentro. Eu realmente não sei que droga anda acontecendo comigo. Se souberem, façam parar.

Talvez seja só frescura de moça adolescente ou atormento de saudade. Já sentiram isso? Como se Deus jogasse um mundo bem na suas costas e você tivesse de se virar para conseguir carregar ele para todos os lados e por um (in)determinado período de tempo você só fosse o pó. É isso que passa. E quero explicações!

Ok que eu não tenho só que reclamar. Coisas boas vem me acontecendo ultimamente e espero que vocês estejam realmente felizes por mim. To conseguindo entender matemática, apesar de eu saber que depois dessas férias eu esquecerei tudo. Meus pais e meu irmão a cada dia se provão as pessoas mais especiais desse planeta e tenho os melhores amigos do mundo. Ainda não quebrei meu fone, ganhei um ursinho que me diz eu te amo a cada vez que o aperto, e hoje a tarde não quebrei meu dedinho do pé (apesar de minha mãe ter ouvido o estalo dele do quarto dela e eu estar sentindo choques e calafrios até agora, umas 4 horas depois). A minha escrita vem me rendendo uns elogios lindos e um dia uma das minhas blogueiras favoritas até comentou um texto que fiz pro carinha que amo.

Por falar em amar, to descobrindo a cada dia que passa o que é esse sentimento que vira e mexe aparece no meio dos meus escritos. Um dia quero perguntar cara a cara pra vocês o que acham desse talvez.
Por falar em perguntar, dia desses tava no carro do meu pai e fiquei olhando para o céu azulzinho que me encarava lá fora e ele me questionou: Qual o sentido disso ai tudo, morena?

Eu realmente não faço ideia. 

Porque diabos criariam essa porra toda, nos jogariam dentro e depois deixassem uma coisa levar a outra? Perdas, falta de saúde, escrotismo, gente cheia de energia negativa estampada na testa, inveja, dor. NÃO FAZ SENTIDO ALGUM.
Porque pessoas não conseguem deixar as outras sonharem em paz? Seja pés no chão garota.
Porque tenho que ser padrão e não poder me arriscar? O certo não é esse guria. Vai ser ou médica, ou engenheira, ou advogada. Vai casar depois dos 27. Vai ter uma família. Trabalhar até se aposentar. Ficar a base de remédios até o último dia. Morrer e todos chorarem dizendo que foi uma boa pessoa, que foi feliz, que não sentiu dor.  

Acontece que eu não nasci para mentiras. 

E muito menos para ser pés no chão. Eu to sentindo a dor de estar aqui desde quando respirei o ar do hospital daquele 20dejulhode2001! Eu nasci torta, e vocês sabem. Não vou cursar faculdade de gente que ganha "bastante dinheiro". Vou seguir o que me faz feliz. Jornalismo ou publicidade? Ele disse que sou torta, vocês escutaram de novo?  Não quero casar na igreja, quero na praia porque quero o som da brisa que chamo de respiração-de-alguém-que-me-ama-vulgo-Deus. Quero família grande pra eu poder amar nos almoços de domingo e nas maratonas de filme. Quero trabalhar até quando eu parar de amar meu estilo de vida. Quero não precisar de remédios e nem de hospitais para poder viver. Não quero ser a moça com rosto bonito que teve uma vida normal. Eu quero pra mim o que vocês sempre falaram que eu iria ser. Eu quero ser a história. Mas será que alguém entende? Porque eles dizem que não sou capaz. Mas eu não quero acreditar. As vozes me atormentam vez ou outra e isso vem me fazendo uma mal danado. Façam elas parar ! Eu não sou assim. Eu quero que tudo pare e eu possa descer desse maldito brinquedo chamado vida e que eu possa fazer a minha sem restrições, vocês me entendem?

É como se a cada dia eu acordasse e por 10 segundos tudo fosse perfeito. Ai vem alguém e chuta meu estomago e faz com que eu cuspa sangue misturado a coisas que me fazem mal. Mas eu quero que pare. Não é justo isso com ninguém, e isso é o que mais me dói. Saber que não sou a única. Que muitos desistem de tudo e a única coisa que deixam é a dor e a culpa nos que os cercam. Eu não vou fazer isso, não se preocupem. Eu nasci com uma coisa anormal chamada frieza e não consigo deixar que nada me abale profundamente a ponto de me fazer despencar. Ok, isso soou mal. Mas que posso fazer? Acho que quando eu estava no berço um Anjo me visitou, acariciou minhas bochechas, abaixou no pé do meu ouvido e disse para eu nunca me abalar, só acreditar. Levei pro lado literal mesmo, já é normal, vocês sabem disso mais do que qualquer outro alguém.

Vocês dois sempre me disseram que eu era especial, mas ainda não entendi o porquê. Eu sou nada comparada ao que acontece em minha volta, sacam? Nadinha mesmo. Quer dizer, as vezes me sinto assim, mas hora ou outra me sinto a pessoa que mais tem missão no mundo. Talvez eu tenha vindo com um bug, ou sei lá. Mas sempre que ouvia vocês me dizendo aquelas coisas marcantes eu esquecia de tudo o que poderia me impedir e me sentia infinita. Vocês já se sentiram assim? Como se nada pudesse te derrubar, os obstáculos deixassem de existir e tudo tivesse a apenas um passo do consumo? São os melhores segundos da vida de um ser, creio eu.

As vezes acho que sou a pessoa mais especial do mundo apenas por poder sentir vocês e a paz de Deus dentro de mim. Mas ai passa, e eu despenco como se fosse atirada da janela do oitavo andar de um prédio fulero e tudo tivesse um fim quando minha cabeça explodisse no impacto no chão. Eu só não sei, mas acho que vocês sabem. Eu quero ter certeza de alguma coisa, será que posso? Ontem as alucinações/lembranças me mostraram o quanto sou instável e estou perdida no meio de tudo. Será que posso saber o porque dessa bagunça toda?

Ta tudo fora do controle, desequilibrado.

E eu não sei mais o que fazer com essa coisa que ta acontecendo dentro de mim, só não sei. A única coisa que me anda me mantendo um pouco menos confusa são vocês, minha mãe e alguns amigos. É horrível sentir-se assim: Como se qualquer errinho pudesse te tirar a paz. Mas na verdade, um pequeno errou já me tirou ela faz tempo, vocês sabem. Mas isso não vem ao caso.

Eu não faço ideia do porque ter começado escrever isso, mas estou com a esperança de que vocês realmente leiam ou que estejam ouvindo eu falar cada palavra escrita aqui. Não espero um milagre, que vocês se comuniquem através de sonhos, que apareçam fisicamente pra mim e muito menos por meio de alucinações. Só espero que vocês me entendam, sei lá. Ainda vejo vocês além de meus avós, amigos. Confidentes, até. Melhor: Anjos. Porque só seres assim poderiam realmente me confortar igual vocês fazem apenas ao sentir a paz de vocês se alastrando no meu peito.

Escrevi isso escutando aquela nossa música que vocês sabem qual, que eu vivo rabiscando nas ultimas folhas em braco do meu caderno junto com meus desenhos um pouco meios fora do normal. Ai bateu uma saudade forte no peito e quis dizer que a cada dia que passa sinto mais falta do amor que só vocês sabiam me dar. Desculpas por só falar isso agora, depois da dolorida partida que aconteceu, mas sabem, eu sou sempre a atrasada.

Ps: Espero encontrar vocês um dia por ai, em qualquer lugar mesmo, igual ao meu aniversário do ano passado.

Um abraço, da índia que aprendeu a se amar de vestido por causa de vocês;
Karine"

              

Demonstre seu amor sem restrições (vô e vó, esse texto é pra vocês!)

27 de maio de 2015



Sentei na beirada da minha cama, larguei o celular e vieram as dúvidas. Você já parou para contar quanta gente já perdeu na sua vida? Eu já,e foram muitas. As que mais doeram foram dos meus avós, sem dúvidas. A do vô não me lembro bem, só sei que dói até hoje. Porque ele foi, mas as lembranças não. E a mesma coisa a vó, e as lembranças dela são tão recentes.. E machucam, como se tivessem lâminas nelas. 

Acho que eu deveria ter aproveitado mais, sabe? Deus poderia me cutucar umas 3 da manhã e falar "Aproveita ai, ame mais. Demonstre mais. Já tá quase na hora de se despedir!" Mas não. Talvez fosse mais fácil, você me entende? Eu não sentiria um nó tão grande na garganta por saber que não fui o suficientemente boa. Que não retribui tão evidentemente o carinho assim como ele me davam. Eu devolvia claro, mas não tão na cara, sabe? Se eu soubesse que tudo estava quase no final eu usaria mais vestidos pra agradar os dois. Ficaria lá de sexta até domingo de noite. Elogiava mais o frango da vó (se é que era possível). Faria caminhadas com o vô. Tiraria mais fotos nos churrascos. Pediria pra minha vó me dá aquele quadro...

Mas no real, nada é do jeito que a gente gostaria.

Talvez eu seja muito nova, sim. 13 anos, nem 1,50 de altura, mas um punhado de história e lembranças que com toda a certeza ainda escreverei em um livro. As perdas são muitas, e não quero que você sinta pena. Quero te passar uma mensagem, isso sim. Aproveite cada momento com as pessoas que você ama.  Diga um eu te amo sem motivos pro seu namorado, agradeça por ter os melhores pais do mundo, abrace aquele tia chata que vive perguntando dos seus namoradinhos, compre doce para seus primos. Destranca a porta do seu quarto nos finais de semana e chame todos pra ir num parque. Você, seus pais, seu(s) irmão(s), um pano quadriculado, comida e risadas. Tem coisa melhor? Tirar o dia para ser feliz com as pessoas que mais ama nesse mundo inteiro é radiante. 

O mundo não te avisa quando será a última vez a ver um sorriso. E muito menos de te fazer viver mais intensamente as coisas. E quando a gente acorda com uma ligação ruim, já foi. Então larga de ser bobo, fazendo um favor. Para tudo. Deixa seu celular de lado, a lição, o facebook e aproveita cada risada alta e exagerada como se fosse a última. Faça as coisas mais simples se tornarem especias para todos que te cercam. Eternize momentos. Porque quando acaba, já era. Não tem choro, lamentação, pedido da presença, socorro, que traga alguém de volta. E o nó que sufoca a garganta nunca afrouxa, saiba disso. Então abraça, agradece, beija sem pensar no depois, cheira, se declara, ama. Aproveita. 

Porque não tem coisa mais gostosa de saber que sente algo tão bonito dentro de si. O amor. Transpareça isso para todos a sua volta, juro que não vai se arrepender. É o tal remédio que todo mundo precisa, e sem restrições e poréns.    

      
 
Karine Rodrigues - 2015. Todos os direitos reservados ©
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